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Ciência na Amazônia: apesar do potencial imenso, desigualdade de recursos persiste

Experiências recentes mostram que, quando há financiamento, a ciência produzida na Amazônia pode alcançar alto impacto.

Adalberto Luis Val, Francisco Ribeiro da Costa, Leandro Juen, Susana Braz-Mota, Tiago da Mota e Silva - The Conversation por Adalberto Luis Val, Francisco Ribeiro da Costa, Leandro Juen, Susana Braz-Mota, Tiago da Mota e Silva - The Conversation
28/01/2026
em Cotidiano
Ciência na Amazônia: apesar do potencial imenso, desigualdade de recursos persiste

Imagem: Divulgação / UFPA

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A Amazônia ocupa um lugar paradoxal na ciência brasileira. Apesar de concentrar alguns dos maiores desafios socioambientais do século 21 — como desmatamento, mudanças climáticas, insegurança alimentar, conflitos territoriais e perda acelerada da biodiversidade —, a Amazônia continua recebendo uma fração desproporcionalmente pequena dos recursos destinados à ciência e tecnologia no Brasil.

Essa assimetria histórica limita não apenas a capacidade científica regional, mas também a efetividade das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da região.

Recentemente, observou-se um novo exemplo dessa desigualdade estrutural. Em uma chamada suplementada do CNPq voltada à ampliação de bolsas de pós-doutorado no país, menos de 4% das bolsas foram destinadas à região Norte. O número contrasta com a importância da Amazônia, que representa mais da metade do território nacional, contribui com 9,6% do PIB total do país (2022) e concentra uma parte expressiva das agendas científicas e das estratégias do país.

Essa distribuição desigual de recursos define, dentre outras coisas, onde jovens doutores conseguirão permanecer, onde grupos conseguirão se consolidar e em quais regiões as redes científicas ganharão maior densidade.

Essa lógica reforça um padrão conhecido: a Amazônia segue amplamente estudada, mas raramente decide os rumos da ciência que se faz sobre ela. Os principais centros de decisão permanecem concentrados em outras regiões do país ou no exterior, o que fragmenta os esforços científicos e dificulta a transformação do conhecimento produzido localmente em benefícios diretos para as populações amazônicas e para a conservação do bioma. Ainda assim, são as instituições amazônicas que sustentam parte relevante dessa produção, mesmo operando com menos recursos e maior instabilidade.

A potência da Amazônia em rede

Apesar dessas desigualdades, experiências recentes mostram que, quando há financiamento estável e um desenho institucional adequado, a ciência produzida na Amazônia pode alcançar alto impacto. Programas estruturados em rede, como os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), reúnem pesquisadores e instituições em torno de problemas comuns, compartilhando dados, infraestrutura e conhecimento. Em regiões como a Amazônia, esse modelo é estratégico porque permite otimizar recursos escassos, reduzir desigualdades internas e ampliar o alcance da ciência produzida localmente.

Em Manaus, o INCT-Adapta, dedicado ao estudo da adaptação da biota aquática amazônica às mudanças climáticas, mostra que redes científicas sediadas na Amazônia são capazes de atuar na fronteira do conhecimento. Entre 2017 e 2024, o instituto acumulou mais de 700 publicações, com ampla circulação internacional e inserção em redes globais de citação, ao mesmo tempo em que formou centenas de pesquisadores em diferentes níveis, da iniciação científica ao pós-doutorado.

A atuação do INCT-Adapta também evidencia a força temática da ciência amazônica. Pesquisas sobre mudanças climáticas, fisiologia de peixes, qualidade da água, pesca e aquicultura aparecem como núcleos de alta relevância científica, conectando conhecimento básico a problemas enfrentados pelas populações da região. Trata-se de ciência básica e aplicada, socialmente relevante e alinhada às grandes agendas globais.

Em Belém, outro exemplo relevante do potencial das redes científicas amazônicas é o INCT dedicado à Síntese da Biodiversidade Amazônica, o SynBiAm, recentemente analisado em artigo publicado nos Proceedings of the Royal Society B. A experiência do SynBiAm mostra que redes colaborativas, quando estruturadas de forma deliberada, podem funcionar como infraestruturas científicas voltadas não apenas à produção de novos dados, mas também à integração, curadoria e interpretação coletiva do conhecimento já existente.

O artigo destaca que o SynBiAm articula dezenas de instituições acadêmicas e não acadêmicas, combinando diferentes disciplinas, escalas de análise e contextos territoriais, com ênfase na formação de capacidades locais e na produção de conhecimento socialmente relevante.

Essas experiências deixam claro que o principal gargalo da ciência amazônica não é a ausência de competência, qualidade, relevância ou produtividade, mas a falta de políticas de fomento estáveis, proporcionais e de longo prazo.

Expandir redes, formar pessoas e fixar ciência na Amazônia

Expandir e fortalecer programas como os INCTs na Amazônia não significa apenas lançar novos editais. Exige reconhecer essas redes como infraestruturas estratégicas para formar pessoas, produzir conhecimento e fixar pesquisadores na região. Quando articuladas a bolsas de pós-doutorado e políticas de inovação, essas redes podem criar trajetórias científicas mais estáveis para jovens pesquisadores amazônicos.

Sem corrigir a concentração regional das bolsas e das oportunidades, a ciência amazônica continuará formando pesquisadores que acabam deixando a região. Isso enfraquece a capacidade local de inovação e de síntese de conhecimento.

A regra atual — que busca garantir que 30% dos recursos de alguns editais cheguem às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste — tem se mostrado insuficiente. Na prática, essa proporção não garante que os recursos cheguem à Amazônia de forma compatível com sua extensão territorial, sua população, sua contribuição ao conhecimento científico nacional e, sobretudo, com seu papel estratégico para o futuro do país.

Nesse contexto, ganha relevância a moção aprovada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), durante sua reunião anual em Belém, que propõe a destinação de, no mínimo, 10% do orçamento nacional de ciência e tecnologia exclusivamente para a Amazônia. Trata-se de um marco político-científico que reconhece explicitamente o chamado “custo amazônico”, os maiores gastos logísticos, operacionais e humanos necessários para a realização de pesquisa de qualidade na região.

Além disso, é fundamental enfrentar a instabilidade crônica do financiamento científico. A cada ciclo de projetos, as instituições amazônicas precisam lidar com a incerteza quanto à continuidade de programas estruturantes. O caso do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) é emblemático: o atual ciclo se encerra em 2026, sem qualquer garantia de lançamento de um novo edital ou de manutenção do financiamento, o que coloca em risco décadas de construção de dados, formação de pessoas e monitoramento ambiental.

Diante desse quadro, a escolha é inequívoca: ou o país reconhece a ciência e, em particular, a ciência amazônica como infraestrutura estratégica de Estado, com financiamento estável, diferenciado e de longo prazo, ou seguirá reproduzindo um modelo que concentra capacidades, aprofunda desigualdades regionais e compromete sua própria capacidade de futuro.

Expandir redes, garantir bolsas, assegurar a continuidade de programas estruturantes e corrigir assimetrias não são concessões corporativas, mas decisões políticas que definem se o Brasil será capaz de produzir conhecimento onde seus maiores desafios se colocam.

Para um país historicamente marcado por assimetrias regionais e por ciclos curtos de financiamento científico, apostar na consolidação de redes como os INCTs na Amazônia é um projeto de futuro. Fortalecer a ciência amazônica significa fortalecer a capacidade do Brasil de responder aos desafios climáticos, ambientais e sociais do século 21, com ciência feita na Amazônia, por quem vive e trabalha nela.The Conversation

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Curiosidade

A palavra ‘Jamaxi’ vem de origem indígena. É conhecido como o cesto, no qual, os seringueiros carregavam suas mercadorias.

Tags: Agência JamaxiagenciajamaxiAmazôniaCiênciaDesigualdadeDestaquesManausNotíciasRecursos
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