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Chocolate do futuro: startup cria chocolate sustentável de semente de ingá no Amazonas

A iniciativa une ciência e inovação ao transformar um resíduo em matéria-prima de valor agregado em economia circular

Ana Kelly Franco - Agência Jamaxí por Ana Kelly Franco - Agência Jamaxí
22/04/2026
em Economia
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Benjamin Constant (AM) – No Alto Solimões, um novo chocolate em barra com sabor diferente e rico em nutrientes foi criado, mas ele não é feito de cacau, nem cupuaçu. O doce é feito de semente de ingá (Inga edulis), conhecida como ingá-cipó. O item inédito já tem derivados como o bringá, brigadeiro de Ingá, e pão nutritivo parecido com o pão integral. O conceito do produto nasceu a partir de uma observação comum em pesquisas científicas, mas com um olhar empreendedor: o desperdício.

Transformar resíduo em um produto de alto valor, criando uma nova fonte de renda sustentável para as comunidades amazônicas, e redefinir a indústria alimentícia com a pureza de Ingá são os objetivos da startup ‘Ingalate – Produção de chocolate com raízes amazônicas”. Com um sabor único e exclusivo, o doce é definido como o chocolate do futuro.

A ideia do produto iniciou em 2024/2025 com a doutora em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Márcia Nascimento Pinto, professora no curso de Ciências: Biologia e Química na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Benjamin Constant (distante 1.121 km de Manaus em linha reta), na região do Alto Solimões. Ela percebeu que poderia ser feito algo com a semente do ingá, ou seja, aproveitar resíduos agroflorestais, especialmente aqueles que são descartados sem uso econômico.

Produtos do Ingalate. Foto: arquivo pessoal de Márcia Nascimento e Francisco Silva cedido a Agência Jamaxí
Produtos do Ingalate. Foto: arquivo pessoal de Márcia Nascimento e Francisco Silva cedido a Agência Jamaxí
Brigadeiro feito da semente de Ingá. Foto: arquivo pessoal de Márcia Nascimento e Francisco Silva cedido a Agência Jamaxí
Brigadeiro feito da semente de Ingá. Foto: arquivo pessoal de Márcia Nascimento e Francisco Silva cedido a Agência Jamaxí
Produtos do Ingalate. Foto: arquivo pessoal de Márcia Nascimento e Francisco Silva cedido a Agência Jamaxí

Durante estudos de bioprospecção de frutos realizados no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti), o estudante de Licenciatura em Ciências, Biologia e Química, Francisco Adriano dos Santos da Silva, passou a analisar o potencial de partes dos alimentos que, até então, eram descartadas.

Sob orientação da Prof.ª Dra. Márcia Nascimento, os estudos revelaram uma oportunidade promissora. Em muitos frutos amazônicos, apenas a polpa é aproveitada, enquanto sementes ricas em compostos bioativos acabam sendo ignoradas. Foi nesse contexto que a semente do ingá chamou atenção.

Sementes de Ingá. Foto: arquivo pessoal de Márcia Nascimento e Francisco Silva cedido a Agência Jamaxí

“Durante as análises, percebemos que a semente do ingá, geralmente descartada após o consumo da polpa, apresentava características interessantes para o desenvolvimento de um novo alimento”, explica Francisco, um dos fundadores da Ingalate. 

A partir dessa constatação, surgiu a proposta de criar um produto inovador: um “chocolate alternativo”, desenvolvido a partir de um insumo regional, com foco em sustentabilidade e valorização da biodiversidade amazônica.

Economia circular

A polpa do ingá é amplamente consumida na região amazônica, mas suas sementes, tradicionalmente descartadas, começam a ganhar novo valor como matéria-prima para a Ingalate.

De acordo com o fundador da startup, a escolha do ingá foi estratégica: trata-se de um fruto abundante na Amazônia e ainda pouco explorado comercialmente, especialmente no que diz respeito ao aproveitamento de suas sementes.

“O ingá está associado a sistemas agroflorestais e contribui para a conservação ambiental. Além disso, apresenta um potencial nutricional e funcional ainda pouco explorado”, afirma Francisco.

A proposta da startup é transformar um resíduo comum em insumo de valor agregado, alinhando inovação, sustentabilidade e oportunidades de mercado na bioeconomia amazônica.

Árvore Ingá-Cipó. Foto: IFPR Campus Umuarama
Ingá-cipó. Foto: IFPR Campus Umuarama

Ingalate

Durante o desenvolvimento do produto, a startup identificou uma vantagem econômica relevante: o custo de coleta, higienização e transporte das sementes de ingá para processamento é inferior ao da aquisição do cacau, matéria-prima tradicional do chocolate. A alternativa, além de mais acessível, também contribui para reduzir a pressão sobre a monocultura do cacau.

O processo produtivo é relativamente simples e estruturado em etapas bem definidas. Após a coleta e seleção, as sementes passam por higienização e secagem, que são fundamentais para evitar contaminações e reduzir a umidade. Em seguida, ocorre a etapa decisiva para o desenvolvimento de aroma e sabor semelhantes ao chocolate, finalizando na transformação da farinha.

Com a base pronta, o produto passou por testes de análise sensorial, avaliando sabor, aroma, textura e aceitação do público. A validação de mercado incluiu também estudos de precificação realizados em feiras de bionegócios, inclusive na Colômbia, onde uma barra de aproximadamente 50 gramas foi comercializada por cerca de R$ 40.

Chocolate feito da semente de Ingá. Foto: arquivo pessoal de Márcia Nascimento e Francisco Silva cedido a Agência Jamaxí
Chocolate feito da semente de Ingá. Foto: arquivo pessoal de Márcia Nascimento e Francisco Silva cedido a Agência Jamaxí
Chocolate feito da semente de Ingá. Foto: arquivo pessoal de Márcia Nascimento e Francisco Silva cedido a Agência Jamaxí
Chocolate feito da semente de Ingá. Foto: arquivo pessoal de Márcia Nascimento e Francisco Silva cedido a Agência Jamaxí
Chocolate feito da semente de Ingá. Foto: arquivo pessoal de Márcia Nascimento e Francisco Silva cedido a Agência Jamaxí
Chocolate feito da semente de Ingá. Foto: arquivo pessoal de Márcia Nascimento e Francisco Silva cedido a Agência Jamaxí

Sabor inigualável 

Além da versão em barra, o chamado “Ingalate” já demonstra versatilidade culinária. A farinha permite a produção de itens como brigadeiro, batizado de “bringá”, cupcakes e pães com características semelhantes ao integral. A startup também trabalha no aprimoramento do produto com a incorporação de ingredientes amazônicos, como castanha-do-Brasil, cupuaçu e mocambo.

Para a pesquisadora Márcia Nascimento, o produto inaugura uma nova categoria de sabor. “O Ingalate é uma revolução na inovação alimentícia do Amazonas. Trata-se de um sabor exclusivo, que não pode ser comparado a outros produtos”, afirma.

O ingá, cujo nome deriva do tupi-guarani e significa “semente envolvida”, apresenta ainda um perfil nutricional enriquecedor. Rico em vitamina C, ferro e cálcio, o fruto contribui para o fortalecimento do sistema imunológico, prevenção da anemia e combate ao cansaço. Estudos também apontam a presença de compostos antioxidantes, como flavonoides e taninos, associados à prevenção de doenças crônicas.

Segundo a nutricionista Fernanda de Carvalho Lemos Souza, tanto a polpa quanto as sementes concentram compostos fenólicos importantes, capazes de combater radicais livres e retardar o envelhecimento celular.

“O ingá também é fonte de fibras solúveis, que auxiliam na saúde intestinal e no controle glicêmico, além de conter vitaminas do complexo B e minerais essenciais como cálcio, fósforo e ferro”, explica. Ela destaca ainda o potencial do fruto em preparações como mousses, sucos e geleias sem adição de açúcares refinados.

Próximos passos

Entre os próximos passos, o fundador Francisco aponta que irão realizar a  padronização e escala produtiva, adequar às normas sanitárias, desenvolver novos derivados e ampliar parcerias com comunidades locais. A estratégia também inclui a expansão da presença em feiras, e-commerce e redes de consumo sustentável, além do fortalecimento da marca Ingalate.

Logo da Ingalate. Foto: arquivo pessoal de Márcia Nascimento e Francisco Silva cedido a Agência Jamaxí
Doutora Márcia Nascimento Pinto e Francisco Adriano dos Santos da Silva com os produtos do Ingalate. Foto: arquivo pessoal cedido a Agência Jamaxí
Doutora Márcia Nascimento Pinto e Francisco Adriano dos Santos da Silva com os produtos do Ingalate. Foto: arquivo pessoal cedido a Agência Jamaxí

Valorização da floresta em pé

A iniciativa se insere no contexto da bioeconomia amazônica ao valorizar a floresta em pé. O ingá é proveniente de árvores nativas e sistemas agroflorestais, o que condiciona sua exploração à conservação ambiental. A coleta das sementes também contribui para a redução de resíduos orgânicos nas comunidades.

Além disso, o cultivo da espécie favorece a biodiversidade. De crescimento rápido, o ingá atua na fixação de nitrogênio no solo, característica essencial para a recuperação e manutenção de sistemas agroflorestais.

“O projeto reduz desperdícios ao aproveitar uma matéria-prima antes descartada, promove a economia circular e incentiva a manutenção da floresta em pé, gerando renda sem desmatamento. Também valoriza o conhecimento local e a biodiversidade amazônica, contribuindo para um modelo de desenvolvimento sustentável”, conclui o fundador.

*Esta matéria jornalística é protegida pela Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que regula os direitos autorais no Brasil. A reprodução total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem a devida autorização expressa do autor, é proibida e pode resultar em sanções civis e criminais. Todos os direitos reservados.

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