Manaus (AM) – O Amazonas registrou, em 2024, o maior número de suicídios de indígenas desde o início da série histórica do Atlas da Violência 2026. Foram 83 mortes, contra 76 em 2023, um aumento de 9,2%. Na comparação com 2019, quando o estado contabilizou 57 casos, o crescimento foi de 45,6%. Em relação a 2014, o avanço chega a 48,2%.
O levantamento, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra que o Amazonas permanece como o estado com o maior número absoluto de suicídios indígenas do país ao longo de toda a série histórica, o que também está relacionado ao fato de concentrar a maior população indígena do Brasil.
Crescimento também é observado no Brasil
O avanço dos casos não se restringe ao Amazonas. Em todo o país, foram registrados 211 suicídios de indígenas em 2024, frente a 185 em 2023, um aumento de 14,1%.
Além disso, em comparação com 2019, o crescimento foi de 55,1%, enquanto na última década o número de mortes aumentou 80,3%.
Apesar das oscilações registradas ao longo dos anos, o Atlas aponta uma retomada da tendência de alta a partir de 2020, período marcado pelos impactos sociais da pandemia de Covid-19.
Taxa entre indígenas segue muito acima da média nacional
Além do crescimento em números absolutos, o estudo evidencia a desigualdade na incidência do suicídio entre indígenas.
Em 2024, a taxa de suicídio entre indígenas foi de 20,9 por 100 mil habitantes. Em contrapartida, a taxa da população brasileira em geral ficou em 7,8 por 100 mil habitantes.
Isso significa que o risco de suicídio entre indígenas permanece 2,7 vezes maior que o observado na população total do país.
No Amazonas, o cenário é ainda mais preocupante. O estado registrou uma taxa de 54,4 suicídios por 100 mil indígenas, índice muito superior à média nacional para essa população, mesmo abaixo do pico alcançado em anos anteriores.
Desigualdade regional agrava o cenário
As regiões Norte e Centro-Oeste concentram a maior parte dos casos de suicídio indígena, além de apresentarem as maiores taxas e os maiores números absolutos de ocorrências.
Enquanto o Amazonas lidera em quantidade de mortes, o Mato Grosso do Sul apresentou a maior taxa do país em 2024: 151,8 suicídios por 100 mil indígenas.
Além disso, o índice é cerca de sete vezes superior à média indígena nacional e quase vinte vezes maior que a taxa registrada para a população brasileira em geral.
Violência ligada a fatores históricos e sociais
Segundo o Atlas da Violência 2026, os suicídios entre indígenas representam uma forma de violência associada a processos sociais, históricos e territoriais que afetam diretamente as condições de vida dessas populações.
Entre os fatores apontados estão a perda de territórios, a discriminação, a vulnerabilidade socioeconômica, as dificuldades de acesso a serviços públicos e à atenção em saúde mental, além do enfraquecimento das redes de proteção.
Diante desse cenário, os pesquisadores defendem o fortalecimento de políticas públicas voltadas à promoção da saúde mental, à proteção dos direitos territoriais e ao atendimento específico às comunidades indígenas, como estratégias fundamentais para enfrentar um problema que continua em crescimento no Brasil.
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Curiosidade
A palavra ‘Jamaxi’ vem de origem indígena. É conhecido como o cesto, no qual, os seringueiros carregavam suas mercadorias.
