Uma sucuri fêmea foi flagrada cercada por vários machos durante um ritual de acasalamento às margens do Rio Piratini, em Caarapó, Mato Grosso do Sul. As serpentes estavam tão entrelaçadas que formavam uma única massa de corpos, em uma cena registrada em vídeo por um pecuarista.
O fenômeno, conhecido como bolo de acasalamento, ocorre quando vários machos são atraídos por uma fêmea durante o período reprodutivo. Em vez de formar casais isolados, os animais se agrupam e permanecem enrolados uns nos outros enquanto disputam oportunidades de reprodução.
As imagens foram registradas pelo pecuarista Natan Modesto, que encontrou as serpentes durante uma passagem pela região. Apesar de já conhecer a presença desses animais no rio, ele nunca havia presenciado uma concentração semelhante.
O agrupamento chamou a atenção pelo tamanho e pela movimentação das serpentes, que se sobrepunham continuamente às margens da água.
Uma fêmea pode reunir vários machos ao mesmo tempo
O comportamento está relacionado à liberação de feromônios, substâncias químicas utilizadas pelas serpentes na comunicação reprodutiva. Durante esse período, uma fêmea pode atrair diferentes machos, que passam a competir pelo acasalamento.
A concentração dos animais pode durar um período prolongado. Enquanto permanecem entrelaçados, os machos tentam posicionar seus corpos para conseguir acasalar com a fêmea.
Outro aspecto importante é a diferença de tamanho entre os sexos. Nas sucuris, as fêmeas geralmente são muito maiores e mais pesadas que os machos, característica conhecida como dimorfismo sexual.
Essa diferença ajuda a explicar por que uma única fêmea pode permanecer no centro de um agrupamento formado por vários indivíduos menores.
Reprodução das sucuris chama atenção pela formação coletiva
Embora a imagem de tantas serpentes reunidas possa sugerir uma briga, o comportamento está ligado à reprodução da espécie.
As sucuris são serpentes sem veneno, adaptadas à vida em ambientes aquáticos e semiaquáticos. Rios, áreas alagadas e margens com vegetação oferecem condições favoráveis para alimentação, abrigo e reprodução.
Diferentemente de muitas outras serpentes, as sucuris são vivíparas: os filhotes se desenvolvem no interior do corpo materno e nascem vivos, sem a postura de ovos no ambiente.
O comportamento reprodutivo também permite que diferentes machos disputem uma mesma fêmea, aumentando as possibilidades de acasalamento durante o período fértil.
O registro em Caarapó mostra um desses momentos da vida das sucuris, normalmente menos visível do que seus deslocamentos pela água ou encontros ocasionais nas margens dos rios.
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