O apoio de partidos árabes provocou uma reviravolta na disputa pelo poder em Israel. Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas e adversário político de Benjamin Netanyahu, recebeu a missão de tentar formar um novo governo após conquistar o respaldo de 67 dos 120 integrantes do Parlamento israelense.
A decisão foi anunciada neste sábado (7) pelo presidente Isaac Herzog, após consultas com os partidos eleitos em outubro. A participação das legendas árabes foi determinante para ampliar o apoio ao oposicionista, que superou Netanyahu na disputa pela indicação presidencial.
O resultado chama a atenção pela composição política envolvida. Eisenkot, que comandou o Exército israelense entre 2015 e 2019, recebeu indicações de representantes árabes em um país marcado por profundas divergências sobre a questão palestina e os conflitos regionais.
Apesar do apoio, o ex-general ainda não assumiu o governo. Sua indicação abre uma etapa de negociações na qual precisará reunir uma maioria capaz de sustentar uma nova administração.
Apoio árabe muda o cenário político em Israel
Nas eleições legislativas de 27 de outubro, a coalizão de Netanyahu conquistou 53 cadeiras, ficando abaixo das 61 necessárias para controlar o Parlamento.
O bloco de oposição diretamente alinhado a Eisenkot obteve 48 assentos. Entretanto, os partidos árabes, que conquistaram juntos 19 vagas, decidiram apoiar sua indicação, elevando o número de recomendações a 67.
Netanyahu recebeu 46 indicações durante as consultas presidenciais.
A participação dos parlamentares árabes foi decisiva porque Eisenkot não dispunha, sozinho, de apoio suficiente para superar o primeiro-ministro nas recomendações apresentadas ao presidente.
O apoio também demonstra que as negociações para a formação do governo ultrapassam as alianças tradicionais entre os partidos israelenses.
Ex-chefe do Exército terá de negociar com partidos árabes
Embora tenha recebido o respaldo das legendas árabes, Eisenkot enfrenta dificuldades para transformar essa aproximação em uma coalizão governista.
Parte dos partidos de oposição mantém divergências profundas com os representantes árabes, especialmente sobre segurança nacional, direitos dos palestinos e o futuro da Faixa de Gaza.
Além disso, o apoio à indicação presidencial não significa necessariamente compromisso de integrar o governo. Para assumir o cargo, Eisenkot precisará apresentar uma composição que obtenha a confiança de pelo menos 61 parlamentares.
Uma das alternativas envolve negociar com partidos religiosos que anteriormente integravam a base de Netanyahu. Outra possibilidade seria buscar apoio externo de legendas que não participariam diretamente do gabinete.
Essas negociações deverão definir se a aproximação entre o ex-general e os representantes árabes poderá resultar em uma mudança efetiva de governo.
Eisenkot rompeu com Netanyahu durante a guerra em Gaza
Gadi Eisenkot integrou o gabinete de guerra criado por Israel após os ataques do Hamas, em outubro de 2023.
Posteriormente, deixou a administração em meio a divergências sobre a condução da ofensiva militar na Faixa de Gaza e as decisões tomadas pelo primeiro-ministro.
O ex-comandante também perdeu familiares durante a guerra. Seu filho e dois sobrinhos morreram em operações militares israelenses.
Na política, Eisenkot passou a defender uma mudança na liderança do país e a formação de um governo capaz de reunir diferentes setores da sociedade israelense.
Agora, o apoio recebido de partidos árabes coloca essa proposta diante de um desafio concreto: conciliar forças políticas com posições distintas sobre o conflito e a organização do Estado.
Formação do novo governo ainda depende do Parlamento
A nomeação formal de Eisenkot está prevista para domingo (8). A partir desse momento, ele terá 28 dias para negociar a formação de um governo, com possibilidade de prorrogação por mais 14 dias.
Se conseguir reunir uma maioria parlamentar, poderá apresentar sua coalizão e solicitar um voto de confiança.
Caso as negociações fracassem, o presidente poderá encarregar outro deputado de tentar formar o governo. A continuidade do impasse também poderá levar Israel a novas eleições.
Enquanto isso, Netanyahu permanece como primeiro-ministro.
A decisão deste sábado, portanto, não representa uma transferência imediata de poder. Entretanto, o apoio dos partidos árabes colocou Eisenkot à frente das negociações e abriu uma possibilidade de mudança no comando político de Israel.
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