Manaus (AM) – O avanço do envelhecimento da população traz também um desafio para a saúde pública: o crescimento das doenças neurodegenerativas. Na Região Norte, um levantamento realizado pela Agência Jamaxí no DataSus de janeiro de 2022 a junho de 2026 identificou 59 registros de mortes por doença de Alzheimer nos sete estados da região.
Rondônia aparece com o maior número, com 18 registros, seguido pelo Pará, com 13, e Tocantins, com nove. O Acre contabilizou sete mortes, enquanto Amazonas e Roraima tiveram cinco registros cada. O Amapá aparece com dois.
Rondônia concentra maior número de mortes
Dos 59 registros identificados no levantamento, cerca de 31% estão em Rondônia. O estado soma 18 mortes, distribuídas por diferentes municípios.
Entre os registros aparecem cidades como Ji-Paraná, Espigão d’Oeste, Pimenta Bueno, Cacoal, Vilhena, Porto Velho, Cabixi, Alto Alegre dos Parecis e Seringueiras.
No Pará, foram 13 registros. A lista inclui municípios como Belém, Altamira, Cametá, Marabá, Redenção, Santa Maria do Pará e Santarém.
No Tocantins, foram nove mortes, com registros em municípios como Araguaína, Arapoema e outras localidades.
Em alguns estados, os registros estão concentrados nas capitais. No Amazonas, por exemplo, os cinco registros aparecem em Manaus. No Acre, os sete registros estão em Rio Branco. No Amapá, os dois registros foram identificados em Macapá.
Pessoas com 80 anos ou mais são maioria
A idade é um dos pontos que mais chamam atenção nos dados. Entre os 59 registros, 38 correspondem a pessoas com 80 anos ou mais, o que representa aproximadamente 64% do total.
Outros 15 registros correspondem à faixa de 70 a 79 anos, enquanto seis estão entre pessoas de 60 a 69 anos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a idade é o principal fator de risco conhecido para demência, embora a condição não seja considerada uma consequência normal do envelhecimento.
O Alzheimer é a forma mais comum de demência e pode responder por 60% a 70% dos casos. Em 2021, aproximadamente 57 milhões de pessoas viviam com algum tipo de demência no mundo.
Mulheres são maioria entre os registros
A distribuição por sexo também apresenta diferença. Dos 59 registros analisados na Região Norte, 34 são de mulheres e 25 de homens. As mulheres representam, portanto, cerca de 58% do total.
A maior presença feminina entre pessoas afetadas pela demência também é observada globalmente. Segundo a OMS, mulheres são desproporcionalmente afetadas pela demência tanto diretamente, pela maior carga de mortalidade e incapacidade, quanto indiretamente, por assumirem grande parte do cuidado de familiares.
Alzheimer não é sinônimo de envelhecimento
O esquecimento frequente costuma ser associado ao avanço da idade, mas especialistas alertam que alterações persistentes na memória e na capacidade de realizar atividades cotidianas precisam ser investigadas.
A demência é uma síndrome causada por diferentes doenças e lesões que afetam o cérebro, comprometendo memória, pensamento e capacidade de realizar atividades do dia a dia. A OMS ressalta que ela não é uma parte normal do envelhecimento.
Entre os sinais que merecem atenção estão perda de memória recente, dificuldade para realizar tarefas habituais, problemas de orientação, dificuldade para encontrar palavras e alterações que passam a interferir na autonomia.
O diagnóstico precoce permite identificar a causa dos sintomas e iniciar medidas de cuidado e tratamento. Embora ainda não exista cura para o Alzheimer, há estratégias capazes de melhorar a qualidade de vida e preservar a funcionalidade por mais tempo.
Diagnóstico e cuidado envolvem toda a família
O Alzheimer não afeta apenas quem recebe o diagnóstico. A progressão da doença pode aumentar a necessidade de acompanhamento e assistência nas atividades cotidianas, colocando familiares e cuidadores no centro da rede de cuidado.
A OMS destaca que intervenções não medicamentosas, como atividade física, estímulo cognitivo, reabilitação, participação social e orientação aos cuidadores, podem contribuir para melhorar a qualidade de vida e o funcionamento diário.
Em julho de 2026, a organização também divulgou novas recomendações para redução do risco de declínio cognitivo e demência. Segundo a OMS, até 45% do risco poderia ser prevenido ou retardado por meio da atuação sobre fatores modificáveis, entre eles sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool, isolamento social, poluição do ar, hipertensão e diabetes.
21 de setembro: um dia para falar sobre Alzheimer
O 21 de setembro é o Dia Mundial da Doença de Alzheimer e também o Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer no Brasil.
A data foi instituída pela Lei nº 11.736, de 2008, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da participação de familiares e amigos nos cuidados destinados às pessoas que vivem com a doença.
O Ministério da Saúde também destaca setembro como o Mês Mundial do Alzheimer, período dedicado à ampliação da informação sobre demência, sinais de alerta, diagnóstico, tratamento e cuidados.
No mundo, mais de 57 milhões de pessoas vivem com demência e quase 10 milhões de novos casos são registrados a cada ano.
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Curiosidade
A palavra ‘Jamaxi’ vem de origem indígena. É conhecido como o cesto, no qual, os seringueiros carregavam suas mercadorias.
