Humaitá (AM) – O Ministério Público Eleitoral abriu apuração sobre um grande evento político realizado no município no dia 1º de julho, com a presença dos senadores Eduardo Braga e Omar Aziz e a promoção da pré-candidatura de Felipe Lobo, o Felipão, irmão do prefeito José Cidenei Lobo do Nascimento, ao cargo de deputado estadual nas eleições de 2026.
A investigação foi formalizada após denúncias que apontam possível abuso de poder político e econômico, propaganda eleitoral antecipada em larga escala, uso indevido de estrutura pública e gastos irregulares de campanha. As decisões foram publicadas no Diário Oficial do Ministério Público do Amazonas na edição de 3 de julho de 2026.
Segundo o promotor eleitoral Weslei Machado, da 17ª Zona Eleitoral, os relatos indicam que Braga e Omar chegaram a Humaitá por volta das 17h30 ou 18h do dia 1º de julho. Há suspeita de que o deslocamento tenha sido feito em aeronave custeada com recursos públicos, o que, se confirmado, poderia configurar desvio de finalidade para fins eleitorais.

Depois da chegada, teria ocorrido carreata ou motociata, com distribuição de bandeiras com as imagens dos senadores. O público seguiu para a quadra da Escola Estadual Patronato Maria Auxiliadora, espaço particular alugado ao Governo do Amazonas e usado pela unidade de ensino.
No local, segundo os autos, houve evento com palco, telão, som, iluminação, faixas, banners, balões, camisetas padronizadas e grande público. Braga e Omar teriam feito discursos com promessas, defesa de pré-candidaturas e apresentação de Felipe Lobo como nome do grupo político. Omar teria chamado o pré-candidato de “caboclo da terra” e “filho da terra”. Braga, por sua vez, teria dito que quem agisse contra o grupo enfrentaria os dois senadores — fala que o MP avaliará quanto a eventual tom intimidatório.
Também consta dos documentos a menção a outdoor com a frase “Felipão rumo ao Hexa” e peças de rua com os nomes de Braga e Omar e o slogan “Amazonas mais forte de novo”. Há ainda registros de promoção da pré-candidatura do deputado federal Silas Câmara e referência ao ex-prefeito Herivâneo Seixas como apoiador do grupo.
O MP recebeu fotos, vídeos e áudios do evento, feitos em ambiente público. Os materiais mostram, entre outras coisas, participantes com camisetas da Associação dos Produtores Rurais do Alto Crato (Assaf-Acra) e faixas com demandas locais, como cascalhamento de estradas e realização de feiras. A apuração vai verificar se demandas da comunidade foram usadas para benefício eleitoral.
Como os fatos envolvem disputas estaduais e federais de 2026, a Promotoria Eleitoral de Humaitá encaminhou o caso ao Procurador Regional Eleitoral do Amazonas, órgão competente perante o Tribunal Regional Eleitoral. Nesta fase, não há conclusão sobre culpa — o objetivo é preservar provas e definir os próximos passos da investigação.
Compra de votos em 2024
No mesmo pacote de publicações sobre Humaitá, o MP Eleitoral pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar denúncia de compra de votos na eleição municipal de 2024.
O relato foi feito por Evandro Braga de Azevedo contra Herivâneo Seixas, ex-prefeito e candidato naquele pleito. Segundo a queixa, em 2024 Herivâneo teria entregue R$ 200 mil em espécie em Manaus para que o valor fosse levado a Humaitá, com posterior depósito em contas bancárias. O dinheiro teria sido usado para compra de votos.
O promotor entendeu que a denúncia tem elementos suficientes para investigação policial e requisitou à PF a instauração de inquérito eleitoral. O procedimento no Ministério Público foi arquivado administrativamente apenas para dar lugar à investigação da Polícia Federal, sem que isso signifique rejeição da denúncia.
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Curiosidade
A palavra ‘Jamaxi’ vem de origem indígena. É conhecido como o cesto, no qual, os seringueiros carregavam suas mercadorias.
