Manaus (AM) – Uma publicação do Ministério Público do Trabalho no Amazonas e em Roraima (MPT-AM/RR), divulgada na sexta-feira (23/10), no Instagram, sobre uma decisão judicial que determina que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) adote medidas contra o assédio eleitoral provocou uma série de comentários com relatos de possíveis casos de assédio moral na instituição.
Nos comentários da postagem, pessoas que afirmam ter trabalhado na fundação descrevem situações de hostilidade, humilhações, cobranças fora do horário de expediente e episódios que, segundo elas, afetaram a saúde mental. Também há questionamentos sobre as condições de trabalho e os vínculos dos bolsistas.
A publicação do MPT informa que a decisão judicial atende parcialmente a um pedido do órgão e prevê multa de R$ 10 mil por obrigação descumprida e por ocorrência. Embora a decisão trate de assédio eleitoral, os comentários ampliaram a discussão para outras possíveis práticas abusivas no ambiente institucional.
Uma das comentaristas, identificada como Cassiak Vieira, descreveu a experiência profissional na fundação como negativa.
“O pior lugar em que já trabalhei na vida. Saí de lá com a saúde mental profundamente abalada”, escreveu. Ela também classificou o ambiente como tóxico e afirmou ter sentido alívio ao deixar a instituição.
Em outro comentário, Emilybsam relatou ter sido alvo de ofensas pessoais. Segundo ela, uma diretora dizia que a profissional tinha “o demônio dentro de mim” por causa de sua expressão facial. A comentarista afirmou que as situações contribuíram para um desgaste psicológico.
A mesma usuária também relatou cobranças de trabalho até as 22h e afirmou que precisava comparecer no horário habitual no dia seguinte. “Tratavam a gente como verdadeiros escravos”, escreveu.

Bolsistas relatam sofrimento psicológico
Os comentários também levantam questionamentos sobre as condições de trabalho de pessoas vinculadas à FAPEAM por meio de bolsas.
A usuária identificada como the queen under the mountain afirmou que o assédio eleitoral seria apenas parte de um problema mais amplo.
“O assédio eleitoral é só a ponta do iceberg. O assédio moral é puro e insano”, escreveu.
Ela também questionou o argumento de que bolsistas não teriam vínculo empregatício e afirmou que as atividades desempenhadas por eles seriam semelhantes às de servidores da instituição. A comentarista se colocou à disposição para relatar outras situações.
Denise Soares, por sua vez, pediu que a apuração fosse aprofundada e afirmou que bolsistas teriam deixado a instituição com a saúde mental comprometida.
Em seu comentário, ela relatou situações envolvendo crises de ansiedade e pânico e afirmou ter ouvido que suas manifestações seriam uma tentativa de chamar atenção. Denise também declarou que foi desligada durante uma dessas crises, em setembro, e criticou a forma como teria sido tratada.
“Já estava na hora. Se investigar bem, vai achar um fosso de tanto assédio moral”, escreveu.
Outro relato, publicado por Isteice Nogueira, também menciona possíveis situações de assédio moral e exploração. A comentarista afirmou que não conseguiu permanecer nem uma semana na instituição.
Comentários questionam vínculos e condições de trabalho
As manifestações também incluem críticas à forma como as atividades dos bolsistas seriam organizadas e remuneradas.
Erico Xavier afirmou que pessoas vinculadas por bolsas exerceriam atividades profissionais sem as garantias que, na avaliação dele, deveriam acompanhar esse tipo de trabalho.
Ele também questionou a realização de grupos de trabalho por ocupantes de cargos comissionados e possíveis pagamentos adicionais relacionados a essas atividades. As experiências que presenciou na instituição contribuíram para sua decisão de mudar de profissão.
As alegações levantam questões sobre as atividades efetivamente desempenhadas pelos bolsistas, as regras dos programas aos quais estão vinculados e a eventual existência de irregularidades.
A análise exige, porém, a verificação dos contratos, editais, planos de trabalho e demais documentos pertinentes, já que as modalidades de bolsa possuem regras específicas e não implicam necessariamente vínculo empregatício.
As declarações publicadas nas redes sociais não comprovam, isoladamente, as condutas relatadas nem significam que todas as situações mencionadas integrem a ação judicial ou tenham sido reconhecidas pela Justiça.
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