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Qual o lugar da América Latina na corrida por terras raras?

Com grandes reservas de elementos cruciais para a transição energética, Brasil, Chile e Argentina têm missão de explorar minerais sem gerar grandes danos ambientais

Jorge C Carrasco - Dialogue Earth por Jorge C Carrasco - Dialogue Earth
02/03/2026
em Meio Ambiente
Qual o lugar da América Latina na corrida por terras raras?

Foto: José Cícero/Agência Pública

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Minaçu, no norte de Goiás, é uma cidade de 27 mil habitantes que entrou na corrida global por terras raras, minerais estratégicos hoje no centro de disputas geopolíticas por serem essenciais à fabricação de tecnologias limpas, como veículos elétricos e turbinas eólicas.

Puxada por Estados Unidos e China, a demanda global por terras raras cresceu em média 7% em 2024 em relação ao ano anterior, de acordo com a Agência Internacional de Energia. Embora o Brasil detenha quase um quarto das reservas mundiais, ainda está longe da liderança chinesa, responsável por cerca de 70% da produção global, segundo um relatório do Serviço Geológico dos Estados Unidos de 2025.

O que são terras raras e por que são estratégicas?

As terras raras reúnem 17 metais com propriedades químicas e físicas semelhantes e incomuns, essenciais para várias tecnologias modernas. Suas reservas globais estão estimadas em 110 milhões de toneladas, segundo o Serviço Geológico dos EUA. Elementos como gadolínio são usados em reatores nucleares, enquanto o escândio, em células de combustível de veículos. Parte das terras raras integra os chamados minerais críticos para a transição energética, com insumos como o lítio, essencial para baterias de veículos elétricos, e o níquel, usado na produção de aço inoxidável.

Minaçu é um exemplo do esforço da América Latina para competir nesse mercado. A mina na reserva de Pela Ema, próxima ao município, foi a primeira fora da Ásia a extrair elementos de terras raras usados em ímãs de veículos elétricos e turbinas eólicas. O projeto administrado pela mineradora Serra Verde entrou em operação em 2024.

Em novembro de 2025, a Serra Verde obteve um empréstimo de US$ 565 milhões da Corporação Financeira Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos, que distribui fundos federais para projetos de desenvolvimento no exterior. A previsão da Serra Verde é que sua produção anual chegue a 6,5 mil toneladas até 2027.

Grandes depósitos de terras raras também foram encontrados no Chile e na Argentina. Porém, embora isso represente uma oportunidade para a região, especialistas defendem que os países latino-americanos priorizem o desenvolvimento de cadeias produtivas completas, em vez de se limitarem à exportação de matéria-prima. Outros analistas alertam para os riscos ambientais associados à exploração desses minérios.

O peso das reservas latino-americanas

Conforme o Serviço Geológico dos Estados Unidos, a China é responsável por quase metade das reservas conhecidas de terras raras do mundo. Além de dominar a extração, o país também controla cerca de 90% de seu processamento. Enquanto isso, a indústria de mineração e refino de terras raras da América Latina ainda é bastante limitada, apesar das enormes reservas. O Brasil, por exemplo, produziu apenas 140 toneladas de terras raras em 2023 e 20 toneladas no ano seguinte, realidade bem distante das 270 mil toneladas produzidas pela China em 2024.

Os estudos geológicos mais recentes confirmam que vários países da América Latina, especialmente Brasil, Chile, Peru e Argentina, têm depósitos de importância global.

As terras raras estiveram no centro das tensões entre a China e os EUA nos últimos meses. Em outubro de 2025, a China impôs restrições às exportações, alegando preocupações com seu uso por forças armadas estrangeiras. Isso ampliou a guerra tarifária com os EUA, que buscam garantir o fornecimento de terras raras para apoiar suas próprias indústrias.

No fim daquele mês, as duas potências chegaram a um acordo. Agora, no início de fevereiro, os EUA “decidiram reformular o mercado global de minerais críticos e terras raras”, reunindo mais de 50 países em uma reunião destinada a aumentar sua participação no mercado.

Enquanto isso, as reservas da América Latina são cobiçadas pelos dois países.

“A América Latina recuperou sua centralidade como fornecedora de recursos críticos”, afirmou Juliana González Jáuregui, pesquisadora de relações internacionais da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais na Argentina. “Essa centralidade se baseia não apenas em seus recursos geológicos, mas também no fato de que os principais atores globais estão buscando diversificar os riscos em setores estratégicos dominados por poucos países”.

Para González, a competição geopolítica por minerais e a necessidade de garantir cadeias de abastecimento estáveis para indústrias estratégicas são cruciais para esse movimento.

O potencial geológico do Brasil e da região

A extração de terras raras é tecnicamente complexa, cara e intensiva em energia. A liderança da China se apoia na capacidade de produzir em larga escala e a custos mais baixos, o que dificulta a concorrência. Para enfrentar essa desvantagem, mineradoras de outras regiões defendem um sistema de preços independente, com valores mais elevados.

É aí que o Brasil pode ter vantagem. Parte das reservas do país, como as de Minaçu, está em argilas iônicas. A extração desses depósitos é mais simples e barata comparada a rochas mais duras. Além disso, sua mineração tem menos impacto ambiental.

Descobertas recentes atraem a atenção de empresas estrangeiras, como o projeto Pelé, da Brazilian Rare Earths, na Bahia, e o projeto Colossus, da australiana Viridis, em Minas Gerais, onde há reservas estimadas em  201 milhões de toneladas.

Em junho de 2025, o governo brasileiro começou a avaliar 56 projetos de minerais críticos, incluindo terras raras, apoiados por um fundo de R$ 45,8 bilhões.

Empresas chinesas acompanham de perto esse avanço. Em 2024, a China Nonferrous Metal Mining Group adquiriu a brasileira Mineração Taboca, e, no primeiro semestre de 2025, as exportações brasileiras de terras raras para a China triplicaram em relação ao ano anterior.

No Chile, a canadense Aclara Resources tem parceria com o grupo chileno de mineração CAP para desenvolver o projeto Penco Module, estimado de US$ 148 milhões. A iniciativa prevê a produção anual de até 1.700 toneladas de terras raras, com foco em disprósio e térbio, usados em ímãs de veículos elétricos. A empresa afirma que a extração será feita por um processo de lixiviação com reutilização de água, sem gerar rejeitos e com reflorestamento.

Pelo menos 19 depósitos foram descobertos na Argentina. A Litica Resources avança em seu estudo de impacto ambiental no norte do país.

A União Europeia e os Estados Unidos aguardam uma oportunidade para fechar negócios na região. A primeira assinou memorandos com a Argentina e o Chile, incluindo capítulos sobre matérias-primas críticas, e ratificou acordos comerciais com o Mercosul. O segundo criou a Parceria de Segurança Mineral em 2022, composta por 14 países e pela União Europeia.

Exportar matéria-prima ou desenvolver a indústria?

Na América Latina, o debate é se as terras raras serão exportadas como matéria-prima ou usadas para impulsionar refino, processamento e maior controle das cadeias produtivas. Brasil, Argentina e Chile tentam se posicionar como polos industriais. “Não vamos ser meros exportadores dos minerais críticos. Se quiser [explorar], vai ter que industrializar nosso país”, disse em novembro o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Constantine Karayannopoulos, consultor da indústria de mineração, disse ao Dialogue Earth que o Brasil tem “provavelmente uma das melhores” reservas de terras raras do mundo. Ainda assim, vê o risco de repetir o que considera erros de países como Austrália e Canadá, cujas economias produziram matérias-primas sem valor agregado, apropriado por chineses, coreanos, japoneses e, em menor medida, europeus.

O equilíbrio não é ‘com ou sem a China’, mas como se inserir no sistema global sem aprofundar ainda mais as vulnerabilidades históricas. Juliana González Jáuregui, pesquisadora da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais

Ayaz Alam, diretor da Sociedade Geológica do Chile, afirmou que, embora haja interesse em avançar na produção de valor agregado, “é importante ser realista”.

“Os projetos estão atrasados há anos”, explicou Alam. “Algumas empresas planejavam começar a operar em 2026 ou 2027, mas há questões ambientais não resolvidas, tecnologias que ainda não estão consolidadas e conflitos pendentes com as comunidades”.

Para González, se os latino-americanos quiserem equilibrar as oportunidades de investimento com os riscos da dependência tecnológica e política, eles devem trabalhar junto a grandes atores como a China para evitar “relações assimétricas”.

“O equilíbrio não é ‘com ou sem a China’, mas como se inserir no sistema global sem aprofundar ainda mais as vulnerabilidades históricas”, disse ela.

Impactos ambientais e riscos da extração

A extração geralmente ocorre em minas a céu aberto, seguida de britagem, moagem e tratamento químico com ácidos ou álcalis para dissolver os elementos, que depois são separados por solvente. Esses processos demandam grandes volumes de água e envolvem risco de vazamento de substâncias nocivas.

As minas podem liberar elementos radioativos, como tório e urânio, e gerar resíduos ácidos que representam riscos para animais e ecossistemas. A lixiviação, que utiliza piscinas ou fossas químicas para dissolver os minerais, pode contaminar águas em caso de vazamento.

Francisco Valdir Silveira, diretor de geologia e recursos minerais do Serviço Geológico do Brasil, disse ao Dialogue Earth que as tecnologias disponíveis podem reduzir esses impactos: “Se os protocolos ambientais e de sustentabilidade forem seguidos, os impactos serão muito menores e poderão ser recuperados em um curto período de tempo”.

Mineradoras como a Kazatomprom e a americana Cameco defendem a lixiviação no local, com injeção de soluções químicas diretamente nos depósitos de argila para evitar escavação e reduzir a geração de resíduos. A tecnologia está em teste no Brasil.

Estudos, porém, indicam que a injeção pode provocar acidificação do solo, movimentação de metais pesados e contaminação de águas subterrâneas, além de dificultar a recuperação do solo e das comunidades microbianas após o fim das operações.

Uma alternativa é a eletrocinética, técnica desenvolvida pela Academia Chinesa de Ciências, que promete reduzir em até 80% agentes químicos empregando correntes elétricas para movimentar os elementos. Ainda assim, demanda grandes volumes de água e enfrenta obstáculos para aplicação em escala comercial.

Ayaz Alam, da Sociedade Geológica do Chile, questiona a capacidade dessas técnicas de evitar danos, especialmente em salinas como as do Chile e da Argentina: “As salinas são ecossistemas únicos que dependem da estabilidade das águas subterrâneas. A biodiversidade está ligada a esse equilíbrio. Fenômenos como chuvas extremas ou secas prolongadas já estão afetando esse sistema, e a intervenção industrial tende a amplificar essas variações”.

Esta reportagem foi originalmente publicada no Dialogue Earth sob a licença Creative Commons BY NC ND.

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Curiosidade

A palavra ‘Jamaxi’ vem de origem indígena. É conhecido como o cesto, no qual, os seringueiros carregavam suas mercadorias.

Tags: Agência JamaxiagenciajamaxiAmérica LatinaDestaquesManausNotíciasTerras Raras
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