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Os detalhes e limitações de estudo que apontou que carnívoros têm maiores chances de chegar aos 100 anos que vegetarianos

Um estudo associou dietas à base de vegetais a menores chances de chegar aos 100 anos, mas o resultado depende da idade, do peso e de como as dietas vegetais são seguidas.

Chloe Casey, Lecturer in Nutrition and Behaviour, Bournemouth University - The Conversation por Chloe Casey, Lecturer in Nutrition and Behaviour, Bournemouth University - The Conversation
29/01/2026
em Cotidiano
Os detalhes e limitações de estudo que apontou que carnívoros têm maiores chances de chegar aos 100 anos que vegetarianos

Foto de Emerson Vieira na Unsplash

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Pessoas que não comem carnes podem ter menos chances do que os consumidores de carne de chegar aos 100 anos, apontou um estudo recente. Mas antes de repensar sua dieta baseada em vegetais, saiba que essas descobertas são mais complexas do que parecem.

O estudo acompanhou mais de 5.000 adultos chineses com 80 anos ou mais que participaram da Pesquisa Longitudinal Chinesa sobre Longevidade Saudável, um estudo representativo chinês em nível nacional que começou em 1998. Em 2018, os participantes que seguiam dietas sem carne tinham menos chances de se tornarem centenários em comparação com os que consumiam carne.

À primeira vista, isso parece contradizer décadas de pesquisas que mostram que dietas à base de vegetais são boas para a saúde. Dietas vegetarianas, por exemplo, têm sido consistentemente associadas a menores riscos de doenças cardíacas e derrames, diabetes tipo 2 e obesidade. Esses benefícios vêm, em parte, da maior ingestão de fibras e do menor consumo de gordura saturada.

Então, o que está acontecendo? Antes de tirar conclusões definitivas, há vários fatores importantes a serem considerados.

As necessidades do corpo mudam com a idade

Este estudo se concentrou em adultos com 80 anos ou mais, cujas necessidades nutricionais diferem significativamente das de jovens. À medida que envelhecemos, mudanças fisiológicas alteram tanto a quantidade que comemos quanto os nutrientes de que precisamos. O gasto energético diminui, enquanto a massa muscular, a densidade óssea e o apetite frequentemente também diminuem. Essas mudanças aumentam o risco de desnutrição e fragilidade.

A maioria das evidências dos benefícios para a saúde das dietas que excluem carnes provém de estudos com adultos mais jovens, e não com populações idosas frágeis. Algumas pesquisas sugerem que idosos que não comem carne enfrentam um risco maior de fraturas devido à menor ingestão de cálcio e proteínas.

Na terceira idade, as prioridades nutricionais mudam. Em vez de se concentrar na prevenção de doenças de longo prazo, o objetivo passa a ser manter a massa muscular, prevenir a perda de peso e garantir que cada mordida forneça muitos nutrientes.

As conclusões do estudo podem, portanto, refletir os desafios nutricionais da idade avançada, em vez de quaisquer problemas inerentes às dietas à base de vegetais. Fundamentalmente, isso não diminui os benefícios comprovados dessas dietas para adultos mais jovens e saudáveis.

Aqui está um detalhe crucial: a menor probabilidade de chegar aos 100 anos entre os não consumidores de carne foi observada apenas em participantes com baixo peso. Nenhuma associação desse tipo foi encontrada em idosos com peso saudável.

O baixo peso na terceira idade já está fortemente associado a um risco maior de fragilidade e morte. O peso corporal parece, portanto, ser um fator-chave para explicar esses resultados.

Também vale lembrar que este foi um estudo observacional, o que significa que ele mostra associações, e não causa e efeito. Só porque duas coisas ocorrem juntas não significa que uma cause a outra.

As descobertas também se alinham com o chamado “paradoxo da obesidade” no envelhecimento, em que um peso corporal ligeiramente mais alto está frequentemente associado a uma melhor sobrevivência na velhice.

Notavelmente, a menor probabilidade de chegar aos 100 anos observada entre os que não comem carne não foi evidente entre aqueles que incluíram peixe, laticínios ou ovos em suas dietas. Esses alimentos fornecem nutrientes essenciais para manter a saúde muscular e óssea, incluindo proteínas de alta qualidade, vitamina B12, cálcio e vitamina D.

Os idosos que seguem essas dietas têm a mesma probabilidade de viver até os 100 anos que os que comem carnes vermelhas. Os pesquisadores sugeriram que incluir quantidades moderadas de alimentos de origem animal pode ajudar a prevenir a desnutrição e a perda de massa muscular magra na terceira idade, em comparação com dietas estritamente à base de vegetais.

Significado para um envelhecimento saudável

Em vez de se focar em se uma dieta é universalmente melhor do que outra, a mensagem principal é que a nutrição deve ser adaptada à sua fase da vida. As necessidades energéticas diminuem com a idade (devido à diminuição do gasto energético em repouso), mas algumas necessidades nutricionais aumentam.

Os idosos ainda precisam de proteínas, vitamina B12, cálcio e vitamina D adequados, especialmente para preservar a massa muscular e prevenir a fragilidade. Na terceira idade, prevenir a desnutrição e a perda de peso muitas vezes se torna mais importante do que a prevenção de doenças crônicas de longo prazo.

Dietas à base de vegetais ainda são escolhas saudáveis, mas podem exigir um planejamento cuidadoso e, em alguns casos, suplementação para garantir a adequação nutricional, especialmente na terceira idade.

O ponto principal é que nossas necessidades nutricionais aos 90 anos podem ser muito diferentes das que temos aos 50, e as recomendações alimentares devem refletir essas mudanças ao longo da vida. O que funciona para você hoje pode precisar de ajustes à medida que envelhece — e isso é perfeitamente normal.

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Curiosidade

A palavra ‘Jamaxi’ vem de origem indígena. É conhecido como o cesto, no qual, os seringueiros carregavam suas mercadorias.

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