Amarildo da Costa Oliveira, 41 anos, conhecido como “Pelado”, afirmou à Polícia Federal (PF) que esquartejou e enterrou os corpos do indigenista Bruno Araújo Pereira, servidor licenciado da Funai (Fundação Nacional do Índio), e do jornalista Dom Phillips, correspondente do jornal The Guardian.
Em depoimento recente, entre quarta (17/6) e quinta-feira (18/6), Amarildo negou ter efetuado disparos contra a dupla, segundo fonte da PF ouvida pelo UOL. O suspeito afirmou que recebeu os corpos queimados, mas em condições que permitiriam a identificação.
Amarildo disse ainda que contou com a ajuda de uma segunda pessoa para esquartejar e enterrar os corpos e acusou uma terceira pessoa de efetuar os disparos contra Bruno e Dom. As identidades dos outros suspeitos não foram divulgadas. As buscas continuam na região amazônica.
Buscas e diligências
A Polícia Federal do Amazonas levou Amarildo ao local das buscas. Uma embarcação com o suspeito e agentes percorreu o rio Itaquaí, trajeto que Bruno e Dom realizavam entre a comunidade ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte (AM), onde foram vistos pela última vez em 5 de junho.
Em nota, o comitê de crise coordenado pela PF confirmou a continuidade das buscas. “Há previsão de conclusão de parte das análises periciais ainda [hoje]”, disse a corporação.
Ontem, a Polícia Federal prendeu Oseney da Costa de Oliveira, 41 anos, segundo suspeito de envolvimento no crime. Ele é irmão de Amarildo, que foi preso em flagrante no dia 7 de junho por porte de munição de uso restrito. Vestígios de sangue encontrados no barco de Amarildo levaram à decretação de prisão temporária por suspeita de participação no desaparecimento. O material está sob análise de peritos em Brasília.
Depoimentos indicam que Amarildo seguia de lancha à embarcação de Bruno e Dom. No dia 10 de junho, uma testemunha relatou à Polícia Civil ter visto Amarildo acompanhado de outro homem. A PF não confirmou se se tratava de Oseney. Amarildo e o irmão residem na comunidade São Gabriel, habitada por ribeirinhos que vivem da pesca e da agricultura.
Achados durante buscas
Bombeiros mergulhadores encontraram uma mochila de Dom submersa, amarrada a uma árvore, além de roupas, calçados e um documento de Bruno. Segundo os profissionais, havia indícios de tentativa de ocultação, já que os pertences estavam presos à vegetação. O material foi levado para perícia em Tabatinga (AM).
As equipes intensificaram os trabalhos na região com vestígios na vegetação que indicavam a entrada de embarcações. Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips foram vistos pela última vez em 5 de junho, no trajeto entre a comunidade São Rafael e Atalaia do Norte, no Vale do Javari.
Leia mais
- Biocosméticos criados por mulheres para mulheres da Região Norte ganham cada vez mais espaço no Amazonas
- Empreendedorismo sustentável: startups transformam resíduos florestais e orgânicos em produtos inovadores no interior do Amazonas
- Microplásticos: poluição toma conta dos rios e igarapés em Manaus
Curiosidade
A palavra ‘Jamaxi’ vem de origem indígena. É conhecido como o cesto, no qual, os seringueiros carregavam suas mercadorias.

