Aécio Neves (PSDB-MG) criticou nesta quarta-feira (28) a decisão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de contestar o resultado da eleição presidencial e se apresentar inicialmente como “presidente eleito” após a derrota nas urnas. A manifestação do tucano chama atenção pelo histórico da eleição de 2014, quando o PSDB pediu uma auditoria do processo eleitoral depois da vitória de Dilma Rousseff (PT).
Ao comentar a declaração de Flávio, Aécio afirmou que é preciso respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. A reação ocorreu depois de Flávio divulgar uma carta na qual alegou, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição. Em uma primeira versão do documento, ele se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito”; posteriormente, a expressão foi substituída por “líder do Brasil”.
Eleições 2014
O episódio remete à disputa presidencial de 2014. Aécio perdeu o segundo turno para Dilma por uma diferença de pouco mais de 3,4 milhões de votos. A petista recebeu 51,64% dos votos válidos, contra 48,36% do candidato do PSDB.
Quatro dias depois da votação, o PSDB protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de “auditoria especial” do resultado. O partido justificou a iniciativa citando dúvidas e desconfianças que circulavam entre eleitores nas redes sociais.
Na ocasião, porém, o PSDB declarou ter “absoluta confiança” na Justiça Eleitoral e não pediu recontagem dos votos. A solicitação era para que técnicos indicados pelos partidos pudessem fiscalizar os sistemas utilizados na votação, apuração e totalização.
O TSE autorizou a inspeção. A auditoria realizada pelo PSDB não encontrou fraude nem irregularidade capaz de comprometer o resultado da eleição de 2014.
Dilma foi proclamada vencedora com 54.501.118 votos, enquanto Aécio recebeu 51.041.155. O resultado definitivo foi posteriormente aprovado por unanimidade pelo plenário do TSE.
Doze anos depois daquela disputa, Aécio se posiciona contra uma contestação eleitoral feita sem apresentação de provas. A diferença entre os episódios é que, em 2014, o questionamento do PSDB foi formalizado por meio de um pedido de auditoria à Justiça Eleitoral, enquanto Flávio Bolsonaro declarou fraude e reivindicou a vitória apesar do resultado oficial das urnas.
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