Uma servidora pública com deficiência foi exonerada de um cargo comissionado no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, dois dias depois de criticar uma declaração de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Luciana Gimenes ocupava a função de coordenadora de Desenvolvimento de Programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Ela permanece no funcionalismo público, mas deixou o cargo de coordenação. Servidora há 41 anos, Luciana tem atuação conhecida na defesa dos direitos das pessoas com deficiência.
A manifestação ocorreu no sábado (24), após Flávio Bolsonaro se referir a Lula como “nove dedos” durante o debate presidencial da TV Globo. Luciana classificou a declaração como uma manifestação de capacitismo e relacionou o episódio a outras formas de preconceito.
Na publicação, ela também relatou a própria experiência como pessoa com deficiência e afirmou que pessoas nessa condição frequentemente são transformadas em alvo de piadas. Ao comentar Flávio, escreveu ainda que o então candidato não a representava.
Na segunda-feira (26), Luciana foi informada de que deixaria a coordenação. Segundo o relato dela, o secretário estadual Marcos da Costa comunicou ao seu superior que faria mudanças na equipe e começaria por ela. Em seguida, a servidora recebeu uma ligação orientando-a a voltar para casa porque não integraria mais a equipe.
A proximidade entre a crítica e a exoneração não comprova, por si só, que a publicação tenha motivado a decisão. A própria Luciana afirmou que não poderia estabelecer essa relação sem elementos que a comprovassem. Segundo ela, atribuir a exoneração à manifestação seria entrar no campo da suposição.
A Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência afirmou posteriormente que o posto ocupado por Luciana era de livre nomeação e exoneração e atribuiu a mudança a ajustes administrativos.
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