Vilão ambiental: descarte incorreto do óleo de cozinha na pia e ralos prejudica solo e redes de esgoto

Conheça iniciativas desenvolvidas por empresa e estudantes da rede pública de ensino para mudar esse cenário

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais  (Abiove), a capacidade de processamento de óleos vegetais é de 219.067 toneladas por dia no Brasil. Os dados multiplicados por 330 dias trabalhados têm a capacidade anual de cerca de 72,3 milhões de toneladas por dia.

A pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Marcela Amazonas, afirma que o óleo descartado de forma incorreta  pode contaminar e impermeabilizar o solo, entupir o sistema de esgoto e poluir até os lençóis freáticos.

Doutora em Biotecnologia, Marcela reforça que não há mais espaço para apenas conscientizar, é preciso agir e ter comprometimento de fato. 

“Jogamos fora o que pode virar insumo para novos processos e produtos e ainda pagamos taxas mais caras por essa falta de atitude”, ressaltou.

Para a coordenadora de Tratamento de Esgoto da concessionária Águas de Manaus, Tannia Mattos, hoje o óleo de fritura prejudica muito o processo de tratamento. O resíduo forma uma “crosta” dentro das tubulações, que, com o tempo, entope as redes e provoca extravasamentos em determinados pontos, podendo até retornar pela própria pia do morador ou afetar sua rede de esgoto. De forma lúdica, ela compara o processo ao funcionamento do coração, por exemplo,  no qual o excesso de gordura também pode levar a obstrução de veias e artérias.

Fritou? Agora, faça o descarte de forma correta! Fotos: Esterffany Martins/Agência JamaxÍ
A fritura acaba, mas a responsabilidade ambiental continua. Fotos: Esterffany Martins/Agência Jamaxí

Batizado de “Gestão Sustentável do Óleo de Cozinha Usado: Alternativas para Redução de Impactos Ambientais e Geração de Renda”, a iniciativa coordenada pela doutoranda em Geografia e professora da Secretaria de Estado de Educação e Desporto, Francisca Maria Pereira, visa minimizar os impactos ambientais e promover ações socioeconômicas na comunidade escolar.

 O projeto, que integra o Programa Ciência na Escola (PCE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), encontra-se, atualmente, na fase de coleta de dados. Os estudantes também já aprenderam  sobre a importância do uso de Equipamento de Proteção Individual (EPIs) que são essenciais para a manipulação dos ingredientes, como fazer os cálculos para a quantidade de óleos e os outros materiais que serão utilizados.

Alunos do PCE-AM. Foto: Francisca Maria Pereira/Acervo pessoal

A iniciativa atuará na promoção da coleta seletiva, em parceria com cooperativas locais. Além disso, o projeto prevê o desenvolvimento de alternativas sustentáveis, como a produção de sabão artesanal, detergentes ecológicos, velas cosméticas artesanais, entre outros materiais. Os dados também subsidiarão uma campanha de conscientização ambiental junto à comunidade.

Produção de biodisel 

Em Manaus, medidas sustentáveis têm sido adotadas por empresas. Um exemplo é o trabalho desenvolvido pela empresa H2O Sustentável, com matriz em São Paulo e filial em Manaus, que atua no mercado ambiental há 25 anos e vem transformando a coleta de óleo de cozinha usado em ações sociais e de preservação ambiental.

Segundo o proprietário da empresa, Paulo Marusso, após os resíduos de óleo serem coletados, eles passam por um processo de beneficiamento para atingir um grau de pureza, conforme várias especificações. Somente assim esse resíduo de óleo estará apto a ser destinado às usinas de biodiesel espalhadas em determinadas regiões do Brasil.

Como posso ajudar a mudar esse cenário?

A população pode fazer a diferença e contribuir para mudar esse cenário fazendo a coleta do material e descartando de forma adequada em cooperativas que atuam com o resíduo.

A técnica em Edificações, Ariana Brandão, tem feito a sua parte para proteger o meio ambiente. Ela coleta todo o óleo usado na preparação dos alimentos e o armazena em garrafas PET.

“Desde que fiquei sabendo que, quando se joga óleo pelo ralo, ele pode chegar aos rios e contaminar o solo, comecei a separar e fazer o descarte corretamente. É uma forma de ajudar o meio ambiente”, afirma Ariana.

Conforme a pesquisadora Marcela Amazonas, o óleo deve ser resfriado, coado e armazenado. O resíduo pode ser utilizado para fazer resinas, ração, biodiesel e sabão.

Leia mais

*Esta matéria jornalística é protegida pela Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que regula os direitos autorais no Brasil. A reprodução total ou parcial deste conteúdo, por qualquer meio, sem a devida autorização expressa do autor, é proibida e pode resultar em sanções civis e criminais. Todos os direitos reservados.

Sair da versão mobile